28 milhões de brasileiros vivem com um dependente químico

Ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil moram com um dependente químico, estimam pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os autores do Levantamento Nacional de Famílias de Dependentes Químicos, divulgado nesta terça-feira, fizeram esse cálculo a partir de um estudo anterior, segundo o qual 5,7% dos brasileiros, um contingente de mais de 8 milhões de pessoas, são dependentes de álcool, maconha ou cocaína. Ao considerar que os domicílios no Brasil são compostos por 3,5 pessoas, os cientistas chegaram ao número.

O estudo foi realizado entre junho de 2012 e julho de 2013 com 3 142 famílias de todas as regiões do Brasil. A maioria (53,2%) dos dependentes de álcool ou drogas envolvidos na pesquisa estava internada em comunidades terapêuticas na época em que o estudo foi realizado.

O levantamento mostrou que as mulheres, principalmente as mães, são as principais responsáveis pelo tratamento do dependente – 66% cuidam de seus filhos. Muitas delas também acumulam todas as outras funções do lar, como cuidar dos demais membros da família.

Mais da metade (57%) das famílias de dependentes químicos possuem outro familiar que também tem problemas com drogas ou álcool. Os entrevistados, no entanto, não consideram esse fator como determinante para provocar um alto risco de abuso de substâncias químicas entre os membros da família. Para eles, más companhias e problemas com autoestima são as principais causa da dependência química do parente.

Pacientes — O levantamento analisou o perfil dos dependentes químicos. Segundo o estudo, a maioria é do sexo masculino e 72% não havia iniciado o ensino superior. A maior parte dos dependentes químicos (73%) fazia uso de mais de uma substância. Mais da metade assumiu fumar maconha (63%), beber álcool (62%) ou usar cocaína (60%) regularmente, e 42,5% disseram consumir crack com frequência.

De acordo com a pesquisa, os dependentes químicos levam, em média, três anos para buscar tratamento a partir do momento em que reconhecem o abuso das substâncias (entre os alcoólatras, esse tempo é de sete anos, em média). Além disso, as famílias demoram nove anos, em média, para reconhecer que o parente sofre com dependências químicas. Na opinião dos familiares, a recusa do paciente em receber tratamento é o principal fator para a demora do início do tratamento.

Fonte: Veja

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